quarta-feira, 25 de março de 2009

"Cortar o salmão'

Este é um estudo em pastel a partir de um retrato a óleo feito por Renoir. Achei esse trabalho dele especificamente interessante por fornecer uma boa referência de estudo simplificado da estrutura de cor. Para tanto, precisava montar a estrutura do desenho para, num segundo momento, montar as bases de cor. Percebi uma certa resistência inicial de minha parte que se transformou numa preguiça mental de esboçar o desenho. A minha intenção foi a de dar um “tapa” no esboço para começar com as cores o mais rápido possível. A impressão que tive é de que, se montasse o esboço correto, perderia o foco, a liberdade e o entusiasmo por conta da demora. Mas ao invés de ceder a essa sensação, preferi parar um pouco para pensar no que fazer. Lembrei-me de um trecho do documentário sobre os bastidores da animação Ratatouille. Nele, o chef de cozinha diz que, ao limpar o salmão todos os dias durante dez, quinze anos, passa a não pensar ou ocupar a sua mente com o tempo que despende para limpá-lo. É mais uma coisa que deve fazer. Ao adquirir domínio (fluência, rapidez e controle), torna-se livre para fazer o que quiser. Pelo treino repetitivo, a tendência é que domine cada vez mais com menos esforço. Toda vez que me encontro numa situação como essa, tento me lembrar de “cortar o salmão” e da busca da estrutura como um exercício permanente de disciplina.
Estudo em pastel

Outro ponto que me chamou a atenção para estudar essa pintura foi a maneira como Renoir agrupou o valor médio com o alto, tornando a área de luz praticamente chapada (zona contínua de valor e cor) e usou o escuro da sombra e os accents dos olhos para atrair a atenção, como freio da leitura. Para não deixar a abordagem muito óbvia e previsível, eliminou o brilho, a pupila e reflexo nos olhos.

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