quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Workshop com Burton Silverman

A experiência mais marcante deste ano foi, sem sombra de dúvidas, o workshop que fiz com Burton Silverman (http://www.burtonsilverman.com/) em Julho, um dos maiores pintores realistas americanos da atualidade.
Antes de viajar, sentia-me realmente esgotado, muito desanimado com a arte no Brasil. Queira ou não, o contexto influencia e limita o desenvolvimento individual, por vários fatores: grande resistência, encontrada no mercado e em instituições artísticas importantes, de reconhecer o valor da arte figurativa tradicional; mentalidade supostamente de vanguarda que cultiva a falta de conhecimento técnico e de desenho como base do fazer artístico; dificuldade de encontrar grandes referências que sirvam de modelo de uma arte mais elaborada e profunda; entre outros.

O que consigo visualizar depois de 23 anos de pintura é que aqui, infelizmente, o “teto” é baixo. Para crescer, é fundamental buscar novos ares. Sinto que, se não o fizesse, seria engolido por essas forças irresistíveis e invisíveis da alienação, acomodação, mediocridade e mesmice (o mais fácil seria desistir e entrar no “esquema”). É, de fato, muito cansativo e desgastante perder tempo justificando ou defendendo a validade da pintura realista, como tentei há alguns anos, através de exposições do movimento realista.


Estúdio de Silverman, Stormville, NY

Conhecer Silverman e seu trabalho de perto foi uma honra e a experiência, fantástica. Interessante constatar como, por trás do mestre, há sempre um grande ser humano, generoso, inteligente e sensível. A convivência com um mestre é imprescindível, mesmo que por pouco tempo. É incrível presenciar sua postura diante do processo: grande capacidade de, ao desenhar ou pintar, abrir mão da segurança, do lugar fácil e cômodo das receitas e fórmulas durante a execução. Ver in loco como administra o caos, como pinta, sem esboço linear, esculpindo pela sobreposição de massas (áreas de cor ou valor), revelou quão destemido e arrojado pode ser um artista.

Direto e sucinto, sua atitude de mestre é a de sempre buscar o essencial, através da observação seletiva, sem malabarismos pirotécnicos. Algo que me chamou a atenção é a liberdade e domínio com que se “move” dentro da pintura. E isso realmente estremeceu as bases de como vejo as coisas e as diretrizes de como eu penso o processo.

Silverman fazendo demonstração de um retrato a óleo

Durante o workshop em Stormville, levei vários “puxões de orelha”, que, longe de serem críticas de cunho narcisista (do tipo que desvaloriza o outro para se sentir melhor), foram, na verdade, atos de generosidade, próprios àqueles indivíduos que se orientam pelo rigor da excelência. Sem perder a compostura, nunca fez questão alguma de agradar. Falava o que pensava e o que via.

Pude constatar, de certa forma, como é possível aliar visão em profundidade, domínio do pensamento, liberdade, sensibilidade e destreza. Foi marcante comprovar que algo deste nível existe e isso me fez sentir renovado no compromisso com o que eu faço.


Sessão de desenho: retrato


Primeiro desenho a carvão


Segundo desenho a carvão


Primeira pintura a óleo


Segunda pintura a óleo


Desenho a carvão feito a partir de uma foto tirada durante o workshop

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sanfoneiro

O Sanfoneiro, Pastel sobre papel Tiziano, 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Bernini - Portrait of a Gentleman

Neste exercício, procurei trabalhar numa mesma fase a estrutura dos espaços, das massas (pelo sistema gráfico) e dos valores através da alternância, o que exige uma boa dose de organização mental da imagem por camadas. A explicação para o uso da alternância consiste no fato de que a percepção é incapaz de lidar ao mesmo tempo com determinados tipos de informação (no caso, certas variáveis técnicas que exigem foco diferente). A metáfora que melhor explica essa abordagem é ação do equilibrista de pratos: por não conseguir equilibrá-los todos a uma só vez, deve ser capaz de manipulá-los pela intercalação de acordo com a necessidade. Esta é a razão fundamental pela qual se deve dominar cada estrutura pelo treino repetitivo.



Carvão e lápis carvão sobre papel marrakech, 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Bernini - Retrato do Cardinal Scipione Borghese

Na falta de peças de gesso ou estátuas para estudar desenho, os livros de escultura podem suprir relativamente bem essa falta.




Lápis carvão, carvão e lápis pastel branco sobre papel marrakech, 2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Exposição na Livraria Cultura do Conjunto Nacional

Endereço: Avenida Paulista, 2073. Do dia 1 a 20 de Dezembro de 2009.

Segunda a Sábado, das 9 às 22h; Domingos e Feriados, das 12 às 20h.

domingo, 22 de novembro de 2009

Violeiro

Violeiro, OST, 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Sistema de fora para dentro

O sistema de fora para dentro consiste na construção do desenho do todo para as partes. O lado bom desse sistema é a mobilidade, o lado não tão bom, mas desafiador, a dificuldade de articular, conectar, as partes. Parti do desenho gestual e mantive a base flexível para ajustes posteriores. Gosto de estudar os desenhos de Ramon Casas, pintor espanhol do século XIX, principalmente para analisar como trabalha a incidência e distribuição da luz. Exige uma leitura mais atenta por conter massas sutis quase chapadas.


lápis carvão sobre papel Marrakech e tinta acrílica branca

sábado, 14 de novembro de 2009

Carpeaux: Nubian Man

Carvão e lápis carvão sobre papel marrakech, 2009

Esse exercício foi feito a partir de uma das minhas peças de gesso do ateliê. Aparentemente, achei que ia ser tranquilo desenhá-la, mas para a minha surpresa acabei levando uma "surra". O problema decorreu da minha escolha, nada boa, de trabalhar pelas partes. Ao começar o esboço, dei mais ênfase às massas sutis do rosto. Quando fui para o turbante, aquelas informações da face, embora elusivas, tornaram-se "poluídas" visualmente. Tive de voltar e eliminar o excesso, dessa vez, orientado pelo todo. O mapeamento ficou mais tranquilo a partir da mudança de rumo. Demorei algumas sessões para entender o que estava acontecendo de errado. Foi uma ótima experiência porque exigiu bastante paciência da minha parte. Representou também um caso singular em que as camadas sobrepostas tornaram-se também camadas de entendimento.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sessões de Retrato 2009

Neste ano, decidimos promover no ateliê, a cada dois meses, sessões de retrato ao vivo com o intuito de por em prática o conhecimento técnico-conceitual adquirido (mapeamento da imagem, estratégias de abordagem, aplicação de critérios de seleção e ordenamento) durante o curso para os alunos do cavalete.
A experiência é muito rica porque difere muito do uso de foto como referência, na qual certos problemas encontram-se parcialmente resolvidos: a imagem impressa numa superfície bidimensional facilita a tradução, além, lógico, de o modelo não sofrer quaisquer distorções, tanto porque não se move como também por não haver variação da fonte de luz ou da luz refletida pelo ambiente. Mas talvez o aspecto mais significativo seja a exigência de outro tipo de postura: o de ser mais assertivo para administrar o caos e, concomitantemente, flexível para lidar com a relatividade do imponderável.
Aproveitei a oportunidade para treinar.
O curioso deste desenho (pastel preto, branco e cinza sobre papel cartão) é que consegui terminá-lo em 25 minutos aproximadamente, no final da aula. Não tinha a menor pretensão de finalizá-lo pelo pouco tempo disponível . Resolvi apenas montar a estrutura do desenho pelo sistema de fora para dentro (todo para as partes), sem fazer revisão, guiando-me mais pelo movimento das massas e dos planos dentro do todo.

Pastel preto, branco e cinzas sobre papel cartão (abril)

Lápis carvão preto e branco sobre papel Murillo (junho)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Entrevista no site Diversos Afins

Neste mês de novembro, encontra-se disponível a entrevista que concedi ao site Diversos Afins.
http://www.diversos-afins.blogspot.com/

Bastidores do Estudio i

Desenho em carvão e lápis pastel branco, completado em 1 hora


















quinta-feira, 29 de outubro de 2009

ATELIÊ NO GLOBO NEWS

Amanhã, dia 30 de outubro, haverá uma matéria sobre modelo vivo no Programa Estudio i, canal Globo News (Net), das 14 às 15h (com transmissão ao vivo direto do ateliê).
Quem puder, confira.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Sobre o movimento das massas

Estudo Silente III, Pastel Preto, branco e cinzas, 2007

Um dos aspectos mais sutis na pintura, mas que exerce, sem dúvida, forte influência na condução da leitura de uma obra é o trabalho elaborado com as massas. Em geral, a maior preocupação em relação a esse elemento técnico é gerar exclusivamente a ilusão de profundidade. Estabelece-se a sequência tonal escuro, médio e alto, para, numa segunda etapa, fazer as transições entre um valor e outro. A carência dessa perspectiva reside na natureza estática com que se aborda (a massa está a serviço apenas do sombreamento) e também, porque em geral as massas encontram-se estancadas em cada plano do objeto (plano de sombra, intermediário e de luz).
Neste estudo com preto, branco e gama de cinzas, procurei outro conceito, mais abstrato: o de descrever a sensação, o movimento da luz sobre os planos do rosto. Diferentemente do primeiro caso, em que se pensa objeto com claro e escuro, procurei organizar as massas orientado pela fluência de movimento contínuo que não simplesmente termina com determinado tom; transforma-se em outro. O pré-requisito foi ordenar a interação sensível entre incidência de luz e os planos do objeto. O controle da velocidade, fluxo e o ritmo das massas são dados pelo tipo de borda: dura, intermediária e suave. Borda dura denota término, borda suave, continuidade.
Outra dica de Leffel, muito interessante, para orientar o movimento das massas ou pinceladas: “Entre movimento e forma, fique com movimento, pois todo movimento contém forma, mas nem toda forma contém movimento.”

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Desenho de caderno 7

Lápis carvão, lápis pastel branco sobre papel marrakech, 2009

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Decrépita Putrefata

Fazia um certo tempo em que eu queria retratar a decripitude como determinado tipo de disposição mental diante da vida. Queria sintetizar na forma de imagem como vejo esse estado decadente de apatia no qual as pesoas escolhem ser, sem saber, espectadoras da vida e, subsequentemente, objetos passivos do próprio destino. Mais do que incômodo, esse tema da letargia consentida me intriga, pois as vejo, em últimas instância, mais como vítimas de si mesmas. Para criar esse efeito de imobilidade, resolvi "plasmar" a figura num pedestal de estátua. A textura de pele, inspirada nas peças de Giacometti, foi feita com empaste e cores definitivas num valor pouco mais alto, como underpainting, para receber as veladuras e glazes posteriores.
Decrépita putrefata, OST, 2005

Estudo de textura com espátula sobre papel

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Visita ao MASP: "Arte na França 1860-1960"

Henri Fantin-Latour - A família Dubourg

Rosa Bonheur - Lavragem em Nevers


Carolus Duran - O Convalescente


José Ferraz Almeida Jr. - Moça com livro

Ontem, fomos ao MASP. A proposta desta visita, com os alunos do ateliê, foi praticar outro tipo inédito de exercício para a maior parte da turma: o olhar analítico de pintor, de natureza técnica, numa relação mais íntima com os executores através das obras. Para isso, foi crucial visualizar o pensamento por trás delas, sem a mediação ou o filtro do discurso teórico dado pelo curador, crítico ou historiador. Pois, queira ou não, ao saber de quem a obra pertence, com respectivo conhecimento anterior sobre sua vida pessoal, sua importância dentro da História da Arte, somos inconscientemente induzidos a ter uma visão comprometida com o politicamente correto, como é muito comum se constatar. (Para ter uma idéia do que estou falando: certa vez, perguntei a uma ex-aluna de quais pintores ela gostava. Respondeu-me "todos os grandes mestres! Se forem grandes eu gosto.)
Para levar adiante essa empreitada foi condicionante dissociar o juízo de valor, próprio da visão de leigo, da perspectiva técnica e aceitar a idéia (nada nova) de que a boa obra se autossustenta, sem o recurso da retórica. Aliás, o que ficou patente, pelo menos para mim, é que quando víamos uma obra com deficiências de um pintor importante, era necessário recorrer a alguma qualidade externa à obra para "salvá-la", enquanto a boa obra era "inteira", ou seja, autossuficiente porque falava por si mesma.
A agradável surpresa de nossa excursão foi de que, em geral, as obras que mais chamaram atenção dos alunos por seus efeitos geralmente foram as mais bem elaboradas em termos de construção técnica.
Desejo que tenham compreendido a importância do domínio dos instrumentos e recursos de manipulação da imagem orientados pelo conceitos técnicos e espero ter passado o recado.

sábado, 6 de junho de 2009

2ª versão de ensimesmado IV

Depois de ler o livro Oil Painting techniques and materials, de Harold Speed, resolvi fazer a segunda versão baseada num conceito diferente. Sua afirmação, bem interessante, é de que uma boa pintura vai na direção do monocromático. Resolvi trabalhar, para tal intento, uma base de cores restrita: branco, preto, sombra queimada, terra rosa, venetian red e ocre.
A característica principal dessa versão em relação à primeira é que os contrapontos de valor, temperatura e intensidade ficaram numa escala mais sutil e suave. Parece também que essa contem mais ar.
Sobre a paleta restrita: se, por um lado, como vantagem, ela permite maior domínio por manipular um número reduzido de pigmentos (como foi dito no post anterior "Menos é mais"), por outro, o grande perigo dessa abordagem é que ela tende perigosamente a gerar ruptura de tom - quando não é mais possível identificar a direção das cores que formaram a base por excesso de mistura - e, por tabela, cores sujas acinzentadas.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Simples x Simples

Há dois tipos de "simples". O "simples" do simplismo, do simplório e o "simples" da simplicidade. O primeiro nasce de uma concepção rudimentar e grosseira, fruto da dedução a partir do processamento rápido de poucos indícios; o segundo surge da contemplação e compreensão profunda do mundo visível, que tem como lastro o princípio da Simplicidade, o qual estabelece a maneira mais direta e econômica possível como qualidade imprescindível para o exercício mental de organização e para a execução prática.
Enquanto um é típico da visão estereotipada de senso comum, o outro é característico da visão técnica do mestre. Quem leva adiante o cultivo do primeiro confunde toscamente o pouco com nada, enquanto quem persegue e atinge o segundo registra o sutil, ou seja, vê grande diferença nas pequenas coisas.
O “simples” simplório é fraco porque se fia no escasso que, no fundo, diz nada, enquanto o outro, da simplicidade, é aquele diz muito com pouco, de modo sucinto, conciso: tem a sua força no essencial, no irredutível, no mínimo necessário. Além desse sensível limite é excesso, aquém desse, é pouco.
O "simples" do simplismo é fácil por derivar da leitura da camada mais superficial e aparente das coisas, da "casca" visual. Encontra-se disponível, surge da falta de esforço. O "simples" da simplicidade é difícil e complexo por implicar a busca incessante do entendimento e a elaboração mental criteriosa do que se vê.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Estudos preparatórios para Centauro

Primeiro esboço, grafite.

Segundo esboço (descartado) a partir de referência, grafite


Terceiro esboço em grafite com outro modelo, grafite


Detalhe do estudo para Centauro em pastel preto, branco e cinza


Estudo que servirá de base para a versão a óleo definitiva

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Estudo para o quadro Centauro

Estudo preliminar para o rosto do Centauro, lápis carvão, 2009

sábado, 2 de maio de 2009

Drapeado

O exercício do drapeado consiste em traduzir a essência visual do tecido em todas as suas variáveis: forma das dobras, textura, cor local, cores tonais, valor, etc. É um bom exercício não somente por isso, mas também porque exige um bom controle desses elementos sem perder a visão sobre o todo. Cada pequena dobra deve receber a mesma luz do grande plano a que pertence. O trabalho de borda e o valor são cruciais para imprimir a sensação da textura e o tipo de pano que é representado.

Pastel preto, branco e cinza, 2004


Pastel preto, branco e cinza, 2005

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sistema escultural por massa

Esta seleção consta de 3 estudos, pelo sistema de fora para dentro, construídos por massa. O conceito de elaboração dos desenhos foi o de estabelecer os grandes planos do rosto de acordo com a incidência e distribuição de luz. Massas abrangentes na base dão unidade, solidez e peso para a posterior sobreposição gradual dos planos menores.





terça-feira, 14 de abril de 2009

Sobre a certeza ou garantia na prática

Muitas vezes se busca a certeza ou garantia de êxito como forma de obter segurança (e assim, tranquilidade), durante a prática do desenho ou pintura. Contudo, refletindo melhor sobre o assunto, pode-se chegar à conclusão de que isso é impossível e também inviável dada a natureza relativa do sistema (afinal, não existe nada fechado em si mesmo, tudo depende de sua relação com o contexto), tanto em um como no outro, com exceção, lógico, daquelas fórmulas imutáveis de manter a proporção constante independentemente do modelo ou daquela prática que segue uma receita “artesanal” de fazimento, que é sempre igual. Em ambos os casos, é verdadeiro o cultivo da certeza. Mas estamos falando de outro tipo de relação em que se representa o modelo e não de esquemas mentais pré-estabelecidos. A melhor solução para a questão, no meu ponto de vista, é a substituição da garantia pela inclusão da flexibilidade, entendida como liberdade de ir e vir, ou seja, capacidade de mover-se no que está fazendo, de ir avante porque está correto ou voltar para fazer ajuste. Essa liberdade, contudo, nasce do conhecimento dos fundamentos técnicos e conceituais, pois é necessário um arsenal à disposição, constituído de várias ferramentas, para resolver os vários problemas específicos e imprevisíveis. Esse é outro bom motivo para acreditar que o conhecimento leva à liberdade e não o contrário (discutido em post anterior, da falta de conhecimento como fonte de liberdade). Agora o pré-requisito, por sua vez, para adotar a flexibilidade é a mente flexível. É realmente muito difícil abrir mão daquele valor arraigado na cultura social brasileira de que "basta ter uma boa idéia na cabeça e uma câmera na mão" para que as coisas funcionem.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Underpaining e overpainting 2



Chimpanzé, OST, 2003

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Modelo vivo de abril

Pose de 3', lápis sépia sobre papel sulfite A4

Pose de 3', lápis sépia sobre papel sulfite A4


Pose de 5', lápis sépia sobre papel sulfite A4


Pose de 10', lápis sépia sobre papel sulfite A4


Pose de 20', lápis sépia sobre papel sulfite A4


Pose de 20', lápis carvão sobre papel marrakech A4


Pose de 20', carvão e lápis carvão sobre papel Murillo 50x40

Massas informes e elusivas




Uma das características mais marcantes dos sistema pictórico é o uso de massas ou manchas informes e elusivas, que, à distância, configuram a forma. Os três primeiros detalhes são respectivamente o olho esquerdo, o nariz e a boca. Isoladamente as partes dificilmente têm força própria ou descrevem algo. É o todo que as configura e lhes dá identidade. As partes estão subordinadas ao todo e o todo não é a soma das partes independentes. O conceito deste estudo foi eliminar os detalhes minuciosos, trabalhando, no limite, com os miniplanos.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Velho Mineiro II

Estudo em óleo, PB, 2009

Velho Mineiro II, OST, 2009
Essa pintura possui uma questão conceitual interessante. Foi executada numa chave baixa. Isso significa que ela é organizada numa escala tonal na qual se elimina os tons médios, havendo forte oposição entre uma grande área escura e outra menor clara. A maior dificuldade dessa pintura reside no fato de que, em geral, o sistema "chiaroscuro", estabelece como premissa que o movimento acontece na luz e a sombra não deve descrever nada. Nesse quadro especificamente, há uma exceção: o movimento se encontra na área de sombra, apesar do alto contraste entre luz (área chapada) e sombra. A solução foi gerar movimento dentro de uma gama tonal restrita (de valores muito próximos e baixos). O desafio foi controlar as variações sutis de cor e temperatura dentro de gradações próximas de valor.

terça-feira, 31 de março de 2009

Desenho de caderno 6

Cavalo, lápis grafite 8B e lápis pastel branco sobre papel marrakech

segunda-feira, 30 de março de 2009

Receita para ser um pintor solto (com conhecimento de causa, lógico)

  • ter talento, segundo Leffel, como capacidade de correr riscos;
  • aceitar a maturidade como o início do trabalho expressivo, como afirma Burne Hogarth;
  • ser maduro, ou seja, bancar os próprios desejos, pela capacidade de lidar com as frustrações e superá-las;
  • ter domínio dos fundamentos conceituais e técnicos do desenho e da pintura;
  • ter a pintura como forma de entendimento e expressão do mundo visível;
  • cultivar o desapego, não orientar-se pela idéia de perda e ganho;
  • não fingir liberdade, nem soltura;
  • aceitar que a liberdade nasce do domínio técnico;
  • ter desprendimento do ego e da vaidade;
  • não buscar o indício, a certeza ou garantia de êxito durante a execução;
  • não buscar o fim (resultado), buscar o meio (processo);
  • ser sincero, sensível, estar disponível na interação com a obra;
  • estar imerso no que faz;
  • buscar a prática estritamente intuitiva;
  • transformar o processo em questão ou problema a ser resolvido;
  • aplicar o princípio da Simplicidade;
  • manter a abstração do início ao fim da obra;
  • não começar a pintura pelo fim (detalhe);
  • praticar a repetição;
  • e o mais importante: não acreditar em receitas.

Desenho de caderno 5

Estudo de Bernini, lápis carvão e lápis pastel branco sobre Canson Mi-Teints, 2008