segunda-feira, 30 de março de 2009

Arte e público

Assisti ontem a uma interessante entrevista de Isaac Karabtchevsky, na qual falava da existência de um certo tipo persistente de preconceito por parte da elite intelectual, incapaz de compreender que o público formado pelas massas tem estrutura e sensibilidade para ouvir música clássica. Tentando resumir o que ele disse, isso acontece porque a música possui uma força vital que arrebata, de maneira imediata, através dos sentidos, e, portanto, sem o filtro racional, intelectual, os indivíduos, provocando-lhes fortes e inexplicáveis emoções. (E nesse aspecto, vejo muita semelhança com a pintura realista nessa capacidade de comunicação direta com o espectador).
No campo das artes plásticas, por sua vez, persiste o mesmo preconceito. A arte para ser arte, do ponto de vista dessa elite intelecutal de que fala Karabtchevsky, não deve provocar emoção, deve ser conceitual, racional, niilista e transgressora. A explicação em geral para essa incompatibilidade entre o grande público e as obras é de que ao primeiro falta inteligência, preparo e estudo para entender as segundas. Li, num artigo do ano passado, sobre os rumos da Bienal em São Paulo, um especialista da Universidade de São Paulo dizendo "que não dá para resolver o eterno divórcio entre o público e as obras quando nunca houve casamento".
A questão que, de certa forma, tocou o maestro é a definição sobre a natureza da relação entre o público e obra artística, em outros termos, para quem a arte deve ser dirigida: se para o todo da sociedade, numa visão mais democrática e sem preconceitos, ou para meia dúzia de intelectuais que se comprazem em discutir o futuro da arte sem que a grande maioria participe.

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