terça-feira, 30 de abril de 2013

Estruturação pictórica

Resolvi fazer este estudo a partir do mesmo modelo (estátua de Homero) usado pelos acadêmicos lineares como referência de aula, justamente com o intuito de demonstrar a diferença com a abordagem realista pictórica que praticamos no ateliê.




2 comentários:

  1. Olá Maurício,

    Acompanho o blog a pouco tempo, mas me interesso bastante pelas coisas que você demonstra aqui.

    Mesmo buscando uma abordagem pictórica você já passou por um desenho linear. Acredita que esse seja um processo obrigatório? Não é mais fácil e lógio o caminho nesse sentido? Primeiro aprender o literal, enquanto desenvolve olhar, percepção, coordenação olho-mão etc... Enfim, refinar o artista primeiro para desenhar e representar o que se vê para depois aprender a fazer escolhas e trabalhar com as massas de forma mais madura?

    Pensando na trajetória de Velázquez, por exemplo, que no meu entendimento inicia muito mais linear e depois caminha em direção ao pictórico...

    Desculpe a ignorância, pois sou somente um iniciante.

    Obrigado mais uma vez

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    1. Oi Lucas, às vezes, tenho essa discussão com os alunos neste sentido. Não acredito hoje em dia que haja necessidade de proceder do linear para o pictórico, com o intuito de aprimorar a percepção ou a habilidade técnica de representação, para migrar para uma concepção pictórica. O grande problema que vejo principalmente em pintores lineares atuais é justamente o fato de que este domínio sobre a abordagem literal faz com que percam de vista o essencial e o ordenamento mental do processo, talvez pela preocupação estrita com a habilidade e aperfeiçoamento dos processos de imitação. No passado, os grandes mestres lineares foram capazes de agir dentro de uma concepção visual bem definida, qualidade que falta aos pintores acadêmicos de hoje.
      Quanto aos mestres pictóricos, como Velásquez, tiveram um início linear, naturalista, mas não acredito por ser um estágio necessário, mas fundamentalmente porque todo mundo "nasce" sob a concepção linear, principalmente pelo fato de a visão estar associada na infância ao sentido do tato. Para poder ter acesso à concepção e percepção pictóricas, ficando com a contrapartida exclusivamente visual, é fundamental desconstruir essa lógica táctil. Pela minha experiência, a habilidade da representação literal não leva à soltura com o trabalho de massas, por exemplo. Pelo contrário, gera uma zona de conforto em torno de um resultado previsível e garantia do êxito. E entre habilidade e pensamento, na minha opinião, o que vem primeiro é o pensamento. No meu ateliê, desde o começo forçamos a tradução mental no processo e, pela minha experiência, a habilidade vem por tabela.
      Abs.

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