sexta-feira, 12 de abril de 2013

Compromisso com o processo

Esta semana, ao retomarmos o exercício rotineiro do gestual no ateliê, pus-me a refletir sobre implicações práticas da concepção pictórica de registrar o transitório e o efêmero. Uma das coisas sobre as quais especulei foi a possibilidade de viabilizar este registro pela manutenção no processo (meio) pelo maior tempo possível, protelando, assim, o fim (representado pelo detalhe e pela descrição da forma).  

Tentei instaurar uma interação sensível, aberta e flexível, focando a atenção para cada etapa do processo, conduzindo o fluxo da ação por meio do “dialogo" com seus desdobramentos conforme se sucediam. E o mais importante: responder a este problema de como avançar, estendendo o meio, sem finalizar através do acabamento. De maneira paciente e disciplinada, evitei projetar o que poderia se transformar em intenção na direção do resultado.


 
A colocação dessa massa abrangente serviu não só como base, mas também como anotação de que não deveria avançar a ponto de perdê-la.

Anotação genérica da estrutura do desenho
 
Retomada da estrutura das massas com anotação da luz
 
Uma fase delicada e difícil: avançar mantendo o sistema aberto, sem ir para o acabamento
 
Trabalho finalizado em pastel preto, branco e cinzas. Referência da peça de Rodin: "Pierre de Wissant".

2 comentários:

  1. Incrivel habilidade, estou fascinado pela maneira como voce descreve os exercicios, parabens!

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