segunda-feira, 25 de maio de 2015

Fluxo na prática...

De quando em quando, alguns estudos atingem certas qualidades intangíveis e, por essa mesma razão, indizíveis. Mas outro dia, respondendo a uma pergunta numa rede social, acabei tratando dos critérios, mais ou menos organizados, que ditam minha prática, embora quase inalcançáveis no meu atual estágio.
O primeiro, que tomei emprestado do zen (já que não sou praticante), de aceitar que a prática é que é expressiva (e não a obra, o tema, o artista, etc), o que exige implicitamente, e por tabela, a capacidade de esquecer de si mesmo. Dessa forma, a atenção volta-se para algo fora do praticante tornando possível a imersão no processo como campo do desconhecido.
O segundo, conceito emprestado de Harold Speed, mestre e pintor inglês, de buscar a sinceridade (e não a diferenciação ou originalidade estilística).
E, por último, o princípio da simplicidade, a tarefa quase impossível de a pintura atingir o irredutível e de ser o que é, nem mais, nem menos...

 
Estudo em carvão sobre papel Marrakech, a partir da escultura de Rodin

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Retrato de Max


Um dos maiores desafios ao tentar finalizar um retrato é o de justamente não se fiar estritamente nos detalhes com o intuito de adquirir similitude. A grande tendência é começar a imitar aqueles traços fisionômicos mais marcantes do modelo, fazendo com que os aspectos intrínsecos da construção (como a estrutura das grandes massas) comecem a perder a importância. A consequência natural é a perda da força visual em termos de abstração, embora a garantia de êxito seja mais provável.
 
Desenho em pastel preto, branco e cinzas.
 
 
No detalhe, é possível perceber como os planos menores e pequenos toques claros e escuros permitem manter a abordagem abstrata.


domingo, 10 de maio de 2015

Sessão de retrato de Walter

Essas fotos foram tiradas na sessão de retrato em outubro de 2014. Eu lembro de ter me proposto na época a realizar um estudo rápido de incidência e distribuição de luz, apenas com indicações dos grandes planos de luz, ajustes tonais por meio de hachuras e sobreposição de pequenos toques representando as interrupções de luz. Foi uma ótima maneira de evitar a busca da semelhança fisionômica ("formas com luz") e permanecer na representação da luz nas formas.
 



 Pastel preto, branco e cinzas sobre papel cartão


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sobre a estrutura das massas

Um dos aspectos mais importantes na formação de uma boa base na pintura, mas menosprezado, negligenciado, por desconhecimento, pressa ou  mesmo relapso, é o domínio sobre a estrutura da massa. Base crucial por ser o princípio em seu duplo aspecto: como aquilo que dá o fundamento conceitual e como início da ação, os quais, contendo as linhas gerais de raciocínio, sustentarão todas as sobreposições subsequentes.
Entendida como sistema ordenado de relações de valor das grandes massas, com anotações dos grandes planos de luz, é a estrutura das massas que garante unidade às variações tonais menores.
 
 

Retrato de Lúcia, pastel preto, branco e cinzas.

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