quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Segunda versão de Telamon

Resolvi fazer esta segunda versão, pois na primeira achei que o espaço negativo estava muito pequeno. A princípio achei que a forma menor do enquadramento gerava tensão espacial e um ar "sufocante", mas como composição, ela não funcionou visualmente. A figura estava "esmagada" pelo fundo. Para refazer o desenho, pensei no contrário: na amplidão do espaço, representado por um céu tempestuoso. Logo nas primeiras indicações do esboço, achei que o espaço ocupado pelo fundo estava excessivamente grande e a primeira tendência foi recorrer ao óbvio: diminuir o tamanho (mas mantendo maior que o original) ou criar mais variações de valor das nuvens (combinadas com maior variação das famílias de cor na versão a óleo) para gerar maior movimento pelo alto contraste também de forma. Mas não queria fazê-lo por dois motivos: a ideia era manter o valor do céu baixo para agrupar com o manto - e assim dar forte contraste tonal à cabeça - e   porque atualmente gosto muito mais de gerar movimento pelos caminhos da sutileza. Refletindo sobre o assunto, o que me fez ratificar a decisão de manter o fundo gigantesco foi a constatação de que há várias pinturas cuja proporção do negativo é muito maior do que o positivo. Na hora, recordei-me das obras como as de Giacometti ou de William Nicholson, nas quais, o fundo é cheio de "vazio", das de David Leffel ou Rembrandt, onde o fundo é "preenchido" com ar e também das paisagens holandesas do século XVII. A questão fundamental foi portanto escolher um campo finito de atuação e desenvolver uma solução para o problema dentro deste campo, sem fugir.


Segunda versão de Telamon, 100x80, pastéis preto, branco e cinza sobre tinta acrílica


Primeira versão,70x50,  pastéis preto, branco e cinza sobre guache

2 comentários:

  1. Muito bons seus trabalhos Mauricio! Gostei muito da sessão de citações sobre arte daqui do seu blog!

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  2. Valeu, Estevão. Estas citações do blog são referências constantes para consulta. É um modo bem prático de sempre ter a mão coisas das quais não devo esquecer.
    Abs.

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