segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Luz x detalhe

Peguei um dia no ateliê para fazer um estudo de drapeado. Ao colocar os planos do rosto que avançam na direção da luz, resolvi representar os planos salientes e eliminar os planos menores que se encontravam na penumbra. O efeito foi imediato: a sensação de luz "brotou" como um passe de mágica e aqueles planos tornaram-se desnecessários. Experimentei, por curiosidade, ver o que acontecia ao representar os miniplanos da área de sombra, mas conforme fui inserindo as descrições da forma, a sensação de luz foi desaparecendo.
A explicação para tal fato consiste em dois princípios: pelo conceito de Leffel sobre foco seletivo, a leitura do específico é incompatível com a sensação de luz, além da sombra não servir para descrever nada, como forma ou cor.
Por esta mesma razão, este exercício tornou-se um exemplo paradigmático da lógica pictórica que associa o essencial à representação da luz em detrimento da mera imitação descritiva e literal do modelo.


Modelo: molde de gesso a partir do busto executado pelo escultor Renato Blaschi


Detalhe

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