segunda-feira, 2 de maio de 2011

Sessão de Retrato de abril

No mês de abril, as sessões foram desdicadas à aplicação do gestual, usando tanto grafite como carvão. O objetivo foi montar a estrutura por meio da sugestão, extraindo o essencial da imagem, sem se preocupar com a semelhança fisionômica do modelo pela descrição da forma.





Parada técnica para análise



demonstração e discussão do exercício



demonstração



carvão sobre kraft 20'


carvão sobre kraft 18'


carvão sobre kraft 25'



carvão sobre kraft 15'

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Movimento em silêncio

lápis grafite


Outro dia, estava olhando para a foto desta estátua de terracota, passada por um ex-aluno, pertencente ao acervo do Metropolitan de Nova Iorque. Toda vez que a olhava, exercia uma grande atração em mim, mas não sabia dizer por quê. O que incitou a minha curiosidade foi o fato de ser simultaneamente tão simples e forte. Movido mais por impulso, resolvi desenhá-la em grafite para ver o que acontecia. Enquanto interagia com o desenho, pude visualizar a resposta: há muito vigor, embora discreto, neste tipo de movimento contínuo, sutil e silencioso, que se desdobra no campo indizível das formas que não possuem nome ou definição.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Aplicação dos gestuais no carvão

Tendo como suporte o papel kraft colorido, troquei o grafite pelo carvão, lápis carvão e borracha, para aplicar o mesmo conceito do gestual desenvolvido anteriormente. Mantive o sistema de fora para dentro, traduzindo os planos e massas para a representação mais concisa, na forma de manchas e hachuras. Não estipulei o tempo máximo, mas tentei executar no tempo mais curto possível para manter o foco no essencial.



20'
18'

21'
25'

Neste desenho, para demarcar o raciocínio estratégico, resolvi parar no meio da abordagem (em torno de 15 minutos).

segunda-feira, 14 de março de 2011

Gestuais de março (continuação)

Algo muito interessante, que pode acontecer como desdobramento do estudo e da prática disciplinada, é a possibilidade de acesso ao campo da não-regra.

Do ponto de vista metodológico, para que a intuição possa ordenar e elaborar as informações visuais de forma espontânea é imprescindível a existência de critérios que possam guiá-la durante o processo de execução.

E só a repetição criteriosa cria meios para que ela entenda o que deve fazer, para que ela crie novas soluções no improviso, sem desembocar no receituário do fazer ou na ação espontânea, mas aleatória e vazia de sentido, justificada posteriormente pela retórica.

Gestuais de 5 minutos

terça-feira, 8 de março de 2011

Gestuais de março

O objetivo do desenho gestual, dentro do conceito proposto no ateliê, é criar uma síntese essencial do movimento da figura, guiada pelo mínimo necessário e captada pela sensação. Esse exercício constitui o tipo mais livre possível de representação por observação, no nível mais alto de abstração e concisão.
Sinônimo de fluxo, o gestual combina a fluidez da ação de desenhar, fluência na leitura da imagem e ordenamento.
Os aspectos que tornam a tarefa difícil são a exigência de tomar decisão em movimento (sem parar para analisar), ser capaz de traduzir a essência visual pela interpretação instantânea (sem passar pelo filtro das palavras ou do pensamento racional) e usar a linha como elemento que explora e investiga espaços, ao mesmo tempo em que é capaz de traduzir os vários tipos de informação visual na qualidade mais sucinta possível. Trocar a descrição da forma ou a colocação de detalhes pela sugestão implica dizer algo com pouco, o que intensifica a manutenção do fluxo.
E quanto maior o fluxo, maior a liberdade. Uma das coisas mais prazerosas é livrar-se da dedução racional, que cria símbolos estereotipados para representar o modelo, e dos esquemas ou fórmulas, que podem até gerar certa fluidez do traço, mas que invariavelmente levam a certas soluções previsíveis e mecânicas.
Paradoxalmente ou não, o fato mais instigante constatado em aula é que, para atingir esse nível de liberdade, as condições necessárias são disciplina de organizar mental e criteriosamente as ações, que comportem função e sentido, e arrojo. Arrojo de desprender-se do resultado, de abrir mão da segurança representada pela tentativa de fazer o desenho assemelhar-se ao modelo.
Só o rigor da obediência aos critérios é capaz de manter a não intenção durante todo o processo.
Para ter liberdade é preciso bancá-la.
E lidar com as incertezas inerentes ao processo é aceitar o caos para poder administrá-lo.
Gestuais de 5 minutos










domingo, 27 de fevereiro de 2011

Grupo Realista de Estudos

Inauguramos neste sábado o Grupo Realista de Estudos. É um projeto antigo esquecido "na gaveta" e que foi resgatado no final do ano passado, ganhando forma por iniciativa de alguns alunos .
O principal escopo é a reconstituição do pensamento artístico e técnico tradicional (destruído pela "desconstrução" e "transgressão", durante décadas no século passado, que ainda vigoram) que sirva de base para a organização do fazer artístico.
Para tal intento, o grupo propõe-se ao estudo, pesquisa e investigação dos processos e abordagens pictóricas dos grandes mestres, levantamento teórico de questões e temas aplicáveis à prática.
E o início não podia ter começado melhor com a leitura do livro Conceitos Fundamentais da História da Arte, de Henrich Wölfflin. Nesta primeira sessão, trabalhamos a explanação sobre as principais diferenças entre o estilo pictórico e o estilo linear, contextualização histórica, distinções técnicas e práticas por meio de imagens.
Reflexão, sistematização metodológica, discussão e análise conceitual-técnica das construções dos maiores pintores sob a perspectiva pictórica sempre foram temas instigantes para mim e a criação deste grupo é mais um passo fundamental na instituição de uma escola de pensamento realista.







segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

2a. versão de um dos sectários

Resolvi fazer uma outra versão de um dos personagens do quadro "Sectários", trabalhando sob a lógica da chave alta: aumentar o fluxo da leitura, diminuindo a quantidade de detalhes ou de valores baixos (escuros).
OST, 50x40, 2011

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Desenho como insight

Gestual em grafite
Este ano me propus à difícil tarefa de desenhar todo dia para exercitar a percepção. Depois de pintar a óleo por várias horas, estava cansado, sem paciência para sentar e fazer um esboço. Justamente por isso, tentei encarar o exercício de outra forma. Foi nessa hora que tive um insight: o resultado, como determinado efeito visual que se quer, tanto faz na pintura como no desenho, surge do controle e não da intenção ou vontade.
Esse efeito não é algo que se busque e sim acontece. O fundamental é treinar para que o controle se instale. O máximo que se pode fazer é buscar o entendimento de relações visuais e técnicas (de espaço, cor, forma, borda, camada, etc), pela prática repetitiva, com desprendimento e foco.
Outro aspecto crucial é substituir a mera verossimilhança fidedigna (da imagem com o modelo) pelo crível, para que se possa ter acesso a níveis mais abstratos.
Com certeza, a mudança de foco ajudou a modificar a percepção e o ânimo para o exercício, tornando-o mais agradável e prazeroso.
É curioso notar como, às vezes, aqueles momentos que prometem ser os mais entediantes podem tornam-se ironicamente os mais interessantes.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Por que estrutura?

Lendo um trecho do livro The language of drawing, de Sherrie McGraw, a artista diz algo bem interessante: a pintura foi feita para ser vista de longe. Coincide com o pensamento de Leffel, que também argumenta nessa direção, ao afirmar que uma boa pintura pode ser vista do outro lado da sala que mantém a sua força.
Isso nos leva a identificar à importância fundamental de uma boa estrutura na pintura; afinal, só ela é capaz de fazer a obra "sobreviver" visualmente à longa distância. A pergunta é por quê? Porque é na estrutura que estão colocadas as informações mais abrangentes e genéricas, como os grandes planos e massas, responsáveis pela unidade das informações menores sobrepostas posteriormente.
Disso se deduz a razão pela qual se deve evitar aquele vício de ignorar a base em prol do excesso de detalhes. Os detalhes devem estar subordinados hierarquicamente ao todo, o que implica dizer que a fase de acabamento é uma extensão da estrutura - o fim (acabamento) é ditado pelo começo (estrutura).
E é, neste sentido, que estrutura adquire este dupla função: base como fundação, base como início do pensamento.

Estudo do auto-retrato de Boldini, óleo sobre placa

Esta pintura inacabada foi resultante de uma pesquisa sobre bases possíveis para óleo. Neste estágio, achei que era um bom exemplo a ser "arquivado" como referência de estrutura e resolvi parar por aí.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Mais um ano se vai...

Festa de Confraternização 2010
Este ano foi muito produtivo do ponto de vista do estudo direcionado, do levantamento de questões e da prática disciplinada dada a seriedade dos alunos. A consequência natural e desejável é a instauração de um novo ambiente, no qual grande dinamismo de estudos, pesquisa e de execução aflora. É muito gratificante e prazeroso ter este espaço onde se leva adiante o processo com tanto foco e interesse. Que em 2011 consigamos manter a postura correta, prática repetitiva, arrojo, disciplina, persistência, em busca da clareza e do entendimento.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Carvão, pastel preto e branco sobre papel Ingres

Refiz esta mesma referência que tinha em mãos mas por um outro motivo. Estava intrigado com a pergunta de como poderia usar o papel para gerar uma abordagem simples, rápida, com sobreposição de pequenos toques sucintos.
Considerei este treino bastante válido por obrigar o mapeamento e a manipulação mais eficientes de três aspectos:
  • criação da estrutura das massas pelo cruzamento do fundo (papel) com a camada translúcida do pastel - do ponto de vista prático, através da convenção do valor médio do papel como valor dos planos que recuam no rosto;
  • manipulação do específico não como detalhe minucioso mas como pequeno toque encaixado no lugar certo que se configura em função do todo;
  • incremento seletivo e gradual da densidade (do pigmento), por necessidade de aumentar a sensação de luz e matéria.
Um dos aspectos de que mais gostei na execução rápida da base translúcida foi que ela evoca o fluxo intuitivo, além de exigir maior capacidade de seleção. Contudo, quando se fala em rapidez, isso não implica pressa ou aumento de velocidade na hora de desenhar. Implica a colocação de asserções visuais que vão direto ao ponto, que comporta dupla qualidade, estética e funcional.
Essa experiência me ensinou, mais uma vez, a necessidade e validade de ter método na abordagem: estruturar uma base que favoreça as escolhas seletivas ancoradas em critérios, mas executadas por sensação. Este sistema disciplinado permite simultaneamente que a ação se desdobre num nível bastante abstrato e solto.