quarta-feira, 10 de junho de 2009

Decrépita Putrefata

Fazia um certo tempo em que eu queria retratar a decripitude como determinado tipo de disposição mental diante da vida. Queria sintetizar na forma de imagem como vejo esse estado decadente de apatia no qual as pesoas escolhem ser, sem saber, espectadoras da vida e, subsequentemente, objetos passivos do próprio destino. Mais do que incômodo, esse tema da letargia consentida me intriga, pois as vejo, em últimas instância, mais como vítimas de si mesmas. Para criar esse efeito de imobilidade, resolvi "plasmar" a figura num pedestal de estátua. A textura de pele, inspirada nas peças de Giacometti, foi feita com empaste e cores definitivas num valor pouco mais alto, como underpainting, para receber as veladuras e glazes posteriores.
Decrépita putrefata, OST, 2005

Estudo de textura com espátula sobre papel

2 comentários:

  1. Mauricio, adoro esse quadro, vc sabe disso, está bem guardado na minha parede. Lendo o que vc escreveu não se encaixaria num expressionismo já que aquele movimento também estava mais interessado na interiorização da criação artística do que em sua exteriorização, projetando na obra de arte uma reflexão individual e subjetiva? Até com uma certa visão anti-"Romantica" do mundo?

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  2. Oi Marina, não entendi metade do que falou, por isso, deve estar certa... (rs). Brincadeira à parte, para expressar melhor uma idéia ou o que eu vejo, recorro à metáfora pela distorção, não me importando muito quanto à classificação. Deixo essa tarefa para os críticos...

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