quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mais estudos de animais

Desde pequeno gostava de desenhar animais e, por muitos anos no começo da minha carreira profissional, foram os retratos de cães, gatos e cavalos que me ajudaram a pagar as contas. Cheguei a pintar algumas centenas de cães por encomenda para seus criadores e proprietários. Hoje em dia, gosto de fazê-los por prazer e também para treinar algumas questões técnicas.


Estudo de Pitbull

Em ambos os desenhos, feitos em papel kraft, a proposta foi usar massas translúcidas abrangentes na base de valor médio baixo e, com alguns toques sobrepostos, dar o fechamento da imagem o mais rápido possível.

Este foi um bom desafio para trabalhar a textura de pelos e a incidência de luz principalmente nos miniplanos da cabeça deste cão da raça Rhodesian Ridgeback.

Cavalo branco


Estudo em carvão sobre papel. A ideia foi trabalhar a textura com massa e hachuras e brincar com a relação figura-fundo. Apesar do tom local do cavalo ser branco, resolvi inverter pintando o negativo (fundo) com este valor alto para ver com ficava.

Pintura definitiva em óleo.

sábado, 27 de dezembro de 2008

"Velho Mineiro"

"Velho Mineiro", OSP, 30x40. Esse trabalho foi feito sem estudo em PB, numa abordagem mais direta. A grande dificuldade consistiu no fato de que boa parte do seu rosto recebia a luz refletida do ambiente, o que dificultou o uso da sombra para obter volume. A solução foi trabalhar mais a variação de borda e a mudança de temperatura.

Estudo a óleo para a obra Ensimesmado IV. Sempre tenho o costume de fazer um estudo preliminar para antecipar os problemas que podem aparecer na pintura colorida definitiva e definir os conceitos técnicos, como escolha da chave tonal, bases de cor, da composição, etc.



"Ensimesmado IV", OST, 50x40. Pintura definitiva.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Estudo de estruturas

Estes são exercícios técnicos em óleo com preto, branco e um terra, com a finalidade de estruturar esculturalmente o desenho, as grandes massas que se encontram na base, visando a incidência de luz, a matéria do objeto e o trabalho de borda. Todos foram feitos a partir de referências de fotos de jornal ou revista.

O desafio desse modelo foi manipular a pouca variação tonal, mantê-la assim, e ainda sim gerar um certo movimento.


No livro Oil Painting Techniques and Materials, Harold Speed trata da abordagem técnica utilizada por Velásquez e de seu esforço em fazer uso das bordas internas suaves e do desfoque. Tentei me guiar pelo mesmo conceito, usando massas abertas, sem recorrer aos accents contrastantes muito escuros e manter a leitura bem flutuante.
Nessa abordagem, procurei focar mais o uso de temperatura adicionando o pigmento venetian red.


A questão desse exercício foi como trabalhar a sobreposição dos planos menores sobre as grandes massas tentando atingir maior densidade e textura de pele pela variação de borda.


Foi utilizada como modelo a foto de uma peça de bronze feita por Nicolai Fechin, pintor russo erradicado nos EUA. Achei bem atraente este tipo de incidência de luz e a topografia da cabeça. Queria atingir mais matéria e compreender melhor a manipulação da consistência da tinta.

Seleção de desenhos de modelo vivo durante os anos 2007 e 2008



Esses três desenhos foram executados nas sessões de modelo vivo durante o ano de 2007 na época em que ainda dava aula no MuBE aproveitando a luz vertical vinda de uma clarabóia na sala de exposição. No primeiro, usei apenas carvão (lápis, fusain e miolo de pão) e os dois seguintes foram feitos com lápis sépia sobre papel branco.



Gostei desse desenho feito no ateliê da Frei Caneca. Apesar de não ter ficado muito parecido com a modelo, o desafio maior dessa pose foi resolver o problema específico de incidência frontal de luz e quebrar a imagem "chapada" da figura pelo uso do movimento dos contornos e das massas sutis. Lápis carvão e carvão sobre papel kraft.


Depois de tanto treinar o mapeamento das proporções, formas e movimentos pelo sistema linear durante anos, nesse exercício especificamente me dei ao luxo de voltar a trabalhar o sistema escultural de massas, usando o papel como base de valor médio com sobreposições em valor alto e baixo. Gostei do efeito final da luz se distribuindo sobre as formas que se diluem no fundo. Lápis carvão e conté branco sobre papel verde.


Add caption

Se não me engano essa foi a última sessão de modelo vivo de 2008. Senti-me muito satisfeito com o resultado depois de tantos desenhos "ruinzinhos", bem "sem-vergonhas" e "duros". Pude aplicar vários tipos de abordagem técnica que treinei durante vários anos separadamente. É uma daquelas experiências gratificantes que não tem preço e que lhe indica como vale a pena a "ralação" paciente e disciplinada.

"Luto"

Esse é um esboço que fiz de memória um tempo depois daquele minitexto que escrevi de madrugada. Pretendo transformá-lo futuramente em uma pintura a óleo. De início, quando o fiz, não tinha muita idéia do que se tratava, mas depois de terminado ficou óbvio que era um auto-retrato do meu estado de espírito.

Desabafo

Alguns meses depois, por não conseguir dormir, resolvi levantar-me de madrugada e a vontade que tive foi a de pegar um pedaço de papel qualquer para desabafar, pois sentia que, caso contrário, eu iria implodir.
"Mãe, aceitar sua morte é aceitar que uma parte de mim também morreu... Tento ser forte tentando esquecer de você para conseguir continuar, mas o fato é que isso não passa de fingimento... No fundo, no fundo, algo se perdeu, está perdido e não sei se há como recuperar... Em teoria, eu sabia que permanece viva em mim como legado mas não sabia da existência da contraparte: de que se uma parte sua permanece comigo, uma parte de mim morre com você. Se não sabia porque me sinto perdido, agora eu sei..."

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Dedicatória




Dedico este blog à memória de minha mãe que nos deixou em março deste ano.
Este é o discurso de despedida que escrevi para a sua missa de 49º dia. Segundo a crença japonesa é o último dia em que o falecido permanece com seus familiares:

"Mãe, você já se foi há 46 dias e ainda sim parece, de vez em quando, surreal. Nessa fase em que passou no hospital, o tempo parou, o ar ficou estagnado, como se todas as coisas estivessem suspensas. Quebrou o movimento natural das coisas, como se a terra parasse de girar para que déssemos todo o nosso foco, energia e atenção a você num momento tão delicado.
Justo você, que nunca pediu nada para nós e não fazia a menor questão de dar trabalho aos outros. É que, generosa como é, você quis nos preparar para a sua partida, nos mobilizando durante quase três semanas, fazendo-nos amadurecer e elaborar em nossas mentes que talvez não permanecesse mais com a gente.
Estou começando a me acostumar com essa idéia, para dizer a verdade, estou começando a aceitar essa idéia, que também não é idéia, é fato. Mas também não é fato, pois permanece com a gente na forma de memória, valor, caráter, disposição diante da vida. A nossa maior herança é a constituição mental e espiritual que herdamos de você e que, com certeza, vai nos acompanhar até o fim dos nossos dias.
A nossa vida sempre é feita de etapas e agora a etapa é a vida sem a dona Cleide. Não perdemos somente o amor, a companhia e a serenidade mas também o seu aval e a sabedoria. O mundo se torna agora mais pesado e menos seguro sem você. Apesar de ficar quieta no seu canto, costurando, assistindo tv, montando seu quebra-cabeça, sua presença discreta era muito forte, fazia a casa ficar 'cheia'.
Com sua saída de cena, você nos deixa sozinhos com a tarefa de cuidar de nós mesmos e um do outro.


Se hoje é o dia de despedida, o que quero dizer a você, mãe, em nome do pai, da Cíntia, Marcos, Gui e Natália, é até logo e que te amamos muito."

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