segunda-feira, 8 de março de 2010

Gestual (Fevereiro)

Depois de anos treinando desenhos gestuais durante as sessões de modelo vivo, resolvi instituir no ateliê, como parte intergrante do curso, o exercício com esboços rápidos que visam captar o movimento da figura (e não a forma da figura com ação, como é usual). Em outros termos, registrar intuitivamente através da sensação o gesto, a ação, do modelo. São duas as vantagens, acredito, dessa abordagem: ter acesso à compreensão do desenho, no mais alto nível de complexidade, como sistema de relações de espaço e desenvolver uma mente mais flexível.


A ideia de usar um DVD como fonte de imagens (de vida animal, no nosso caso) foi inspirada no livro de Glenn Fabry (Muscles in motion). Vários anos atrás, Fabry resolveu criar um livro de referências anatômicas e de movimento porque não existia e, para resolver esse problema, passou a usar um aparelho de videocassete tomando basicamente como modelos fisiculturistas e praticantes de aeróbica. A preocupação com o exercício no ateliê não foi copiar o método exato de Glenn Fabry, mas aplicar um outro no qual se pudesse atingir e direcionar a fluência intuitiva. Outros livros que ajudaram a orientar o processo como referência foram: Desenho, de Sarah Simblet; Natural way to draw, de Kimon Nicolaides e Noah's Ark, de Rien Poorvliet.
O mais intrigante a partir dessas experimentações foi que padrões mentais de comportamento e padrões de execução, por parte dos alunos, foram tornando-se cada vez mais claros (mais tarde, pretendo fazer levantamento das principais características pelos estudos de casos). O gestual representa o desenho mais solto (que conheço pelo menos) por elaborar as informações com base na sensação e, portanto, o mais difícil de verbalizar. Ser capaz de explicá-lo e sistematizá-lo não implica torná-lo mecânico ou deduzir uma fórmula mágica, mas poder explorar com mais propriedade as suas potencialidades.
O exercício consistiu em 3 etapas: busca do movimento pelo todo, decomposição das partes genéricas e colocação do específico. Um dos aspectos mais importantes foi tentar não deduzir estereótipos (simbólicos) oriundos do lado racional e nem esquematizar a partir de bonecos.

Primeira arte: gestual que visa o todo


Segunda parte: decomposição das partes

Terceira parte: encaixe do específico, sem detalhe minucioso

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguir por Email