terça-feira, 14 de abril de 2009

Sobre a certeza ou garantia na prática

Muitas vezes se busca a certeza ou garantia de êxito como forma de obter segurança (e assim, tranquilidade), durante a prática do desenho ou pintura. Contudo, refletindo melhor sobre o assunto, pode-se chegar à conclusão de que isso é impossível e também inviável dada a natureza relativa do sistema (afinal, não existe nada fechado em si mesmo, tudo depende de sua relação com o contexto), tanto em um como no outro, com exceção, lógico, daquelas fórmulas imutáveis de manter a proporção constante independentemente do modelo ou daquela prática que segue uma receita “artesanal” de fazimento, que é sempre igual. Em ambos os casos, é verdadeiro o cultivo da certeza. Mas estamos falando de outro tipo de relação em que se representa o modelo e não de esquemas mentais pré-estabelecidos. A melhor solução para a questão, no meu ponto de vista, é a substituição da garantia pela inclusão da flexibilidade, entendida como liberdade de ir e vir, ou seja, capacidade de mover-se no que está fazendo, de ir avante porque está correto ou voltar para fazer ajuste. Essa liberdade, contudo, nasce do conhecimento dos fundamentos técnicos e conceituais, pois é necessário um arsenal à disposição, constituído de várias ferramentas, para resolver os vários problemas específicos e imprevisíveis. Esse é outro bom motivo para acreditar que o conhecimento leva à liberdade e não o contrário (discutido em post anterior, da falta de conhecimento como fonte de liberdade). Agora o pré-requisito, por sua vez, para adotar a flexibilidade é a mente flexível. É realmente muito difícil abrir mão daquele valor arraigado na cultura social brasileira de que "basta ter uma boa idéia na cabeça e uma câmera na mão" para que as coisas funcionem.

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