segunda-feira, 15 de junho de 2015

Estudos sucintos dos mestres em papel kraft

Este ano, resolvi fazer uma série de estudos rápidos (cerca de 35 minutos em média) utilizando carvão sobre papel kraft com o intuito de gerar maior desenvoltura na manipulação e agilidade mental de ordenar, da forma mais direta e simples possível, shapes e valores das massas. 
O conceito consiste em montar a estrutura do desenho (sem os pormenores dos pequenos planos), numa abordagem sucinta (por reter a qualidade do mínimo necessário por meio da observação seletiva), com anotação da luz, sem me preocupar em criar matéria ou estabelecer a escala tonal completa das massas (substituídas em grande parte pelas hachuras).
O lado instigante desse tipo de abordagem no desenho fica por conta do acesso ao ordenamento mental que esses grandes mestres pictóricos conduziram no que concerne ao movimento contínuo, silencioso e sutil das massas em suas pinturas.

Estudo 1 de Van Dyck

Estudo 2 de Van Dyck

Estudo 3 de Van Dyck.


Estudo em grafite da obra a óleo de Max Thedy. O desenho à esquerda corresponde à estrutura do desenho, pelo sistema gestual. O da direita comporta a combinação da estrutura do desenho com a estrutura da massa como anotação da luz.

Versão em carvão da obra de Max Thedy. Nessa estrutura do desenho com anotação da luz, é possível perceber tanto a falta de matéria como a despreocupação com o trabalho de borda. Os pequenos toques configuram a fisionomia sem que se recorra aos detalhes da textura de pele e afins.

Estudo de Anders Zorn

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Conceito de fluxo de luz e interrupção

A estruturação das grandes massas equivale ao ordenamento da base com a tripla finalidade de organizar os valores, dar unidade e transmitir a sensação de luz e matéria.
Dentro do conceito de fluxo de luz, as massas subjacentes da estrutura representam a incidência e distribuição de luz, enquanto a interrupção, constituída pelas concavidades e saliências do objeto, acaba curiosamente por configurar as especificidades visuais do modelo.
O aspecto que achei mais interessante nesse desenho ficou por conta da qualidade concisa desses shapes menores executados por meio de hachuras, as quais, por sua vez, mantêm a integridade visual das massas subjacentes.

Pastel preto, branco e cinzas sobre papel cartão, 2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Fluxo na prática...

De quando em quando, alguns estudos atingem certas qualidades intangíveis e, por essa mesma razão, indizíveis. Mas outro dia, respondendo a uma pergunta numa rede social, acabei tratando dos critérios, mais ou menos organizados, que ditam minha prática, embora quase inalcançáveis no meu atual estágio.
O primeiro, que tomei emprestado do zen (já que não sou praticante), de aceitar que a prática é que é expressiva (e não a obra, o tema, o artista, etc), o que exige implicitamente, e por tabela, a capacidade de esquecer de si mesmo. Dessa forma, a atenção volta-se para algo fora do praticante tornando possível a imersão no processo como campo do desconhecido.
O segundo, conceito emprestado de Harold Speed, mestre e pintor inglês, de buscar a sinceridade (e não a diferenciação ou originalidade estilística).
E, por último, o princípio da simplicidade, a tarefa quase impossível de a pintura atingir o irredutível e de ser o que é, nem mais, nem menos...

 
Estudo em carvão sobre papel Marrakech, a partir da escultura de Rodin

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Retrato de Max


Um dos maiores desafios ao tentar finalizar um retrato é o de justamente não se fiar estritamente nos detalhes com o intuito de adquirir similitude. A grande tendência é começar a imitar aqueles traços fisionômicos mais marcantes do modelo, fazendo com que os aspectos intrínsecos da construção (como a estrutura das grandes massas) comecem a perder a importância. A consequência natural é a perda da força visual em termos de abstração, embora a garantia de êxito seja mais provável.
 
Desenho em pastel preto, branco e cinzas.
 
 
No detalhe, é possível perceber como os planos menores e pequenos toques claros e escuros permitem manter a abordagem abstrata.


domingo, 10 de maio de 2015

Sessão de retrato de Walter

Essas fotos foram tiradas na sessão de retrato em outubro de 2014. Eu lembro de ter me proposto na época a realizar um estudo rápido de incidência e distribuição de luz, apenas com indicações dos grandes planos de luz, ajustes tonais por meio de hachuras e sobreposição de pequenos toques representando as interrupções de luz. Foi uma ótima maneira de evitar a busca da semelhança fisionômica ("formas com luz") e permanecer na representação da luz nas formas.
 



 Pastel preto, branco e cinzas sobre papel cartão


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sobre a estrutura das massas

Um dos aspectos mais importantes na formação de uma boa base na pintura, mas menosprezado, negligenciado, por desconhecimento, pressa ou  mesmo relapso, é o domínio sobre a estrutura da massa. Base crucial por ser o princípio em seu duplo aspecto: como aquilo que dá o fundamento conceitual e como início da ação, os quais, contendo as linhas gerais de raciocínio, sustentarão todas as sobreposições subsequentes.
Entendida como sistema ordenado de relações de valor das grandes massas, com anotações dos grandes planos de luz, é a estrutura das massas que garante unidade às variações tonais menores.
 
 

Retrato de Lúcia, pastel preto, branco e cinzas.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Retrato de Walter

Trabalho quase finalizado. Ao fundo, um estudo em carvão que, em geral, serve de referência de como conduzir as linhas gerais do trabalho.

Obra finalizada. Em termos de composição, a ideia é simples: fundo escuro agrupado com o valor do cabelo e a luz da figura criando uma leitura em diagonal descendente. Para gerar maior movimento de leitura na barba, criei uma grande área de empaste como espécie de underpainting. Já na região do rosto, equivalente ao plano de luz, procurei reduzir as variações tonais e trabalha-las num arranjo tonal estreito, para manter a unidade. Outra dificuldade desse tipo de ordenamento tonal se dá em função da paleta restrita de cor circunscrita à escala tonal sem grandes contrastes.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Estudo de cavalo

O conceito foi explorar o máximo das características do papel marrakech: a cor cinza esverdeada, o tom médio do papel e a textura, dentro do rigor do mínimo necessário. As massas abrangentes geram simultaneamente textura e unidade à sobreposição de tons mais claros e escuros. As hachuras dão a leitura dos planos menores, de modo mais "encaixado" e preciso. A escolha da cor quente no negativo (fundo) serviu para dar o contraponto à cor fria do positivo (figura).
 
"Cavalo", carvão e lápis conté branco sobre papel marrakech texturizado, 2015
 

De tempos em tempos, gosto de fazer desenhos pequenos por achar que possuem um certo charme e uma força visual diferente, além, é claro, de poder treinar a qualidade da síntese sucinta:  resolver com pouco (material) em pouco tempo.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Estudo de incidência e distribuição de luz

Uma das maiores dificuldades de esculpir a forma com a luz, característica típica da abordagem pictórica, é representar a luz difusa e sutil, que acontece quando uma grande área encontra-se na penumbra. O conceito foi simultaneamente representar a luz, o movimento das massas nesse contexto sutil e dar ilusão de profundidade.

 Estruturação mista das massas e do desenho, focando o enquadramento (localização e proporção da figura no papel)

 Primeiras anotações de valor e dimensões do espaço com maior refinamento

 Nesse estágio, resolvi dar uma pausa para fazer uma análise contemplando a leitura.

Trabalho finalizado. Apesar da abordagem no estágio anterior estar mais solta, resolvi, pela sobreposição de shapes menores, atenuar as bordas e melhorar a condução da leitura das massas na penumbra de uma forma mais sutil e silenciosa. Esse é um bom exemplo de como o conceito pode guiar a ação intuitiva na direção, não da mera busca do retrato fidedigno da fisionomia, mas da proposição de uma questão e sua solução.

sábado, 15 de novembro de 2014

Estudo sobre papel vergê

Nesse estudo sobre papel vergê texturizado, a proposta foi utilizar o tom médio como base para a sobreposição de tons claros (com lápis pastel branco) e escuros (com carvão e lápis carvão). O maior desafio foi controlar o peso das massas e das hachuras com o intuito de manter o valor correto para não perder a sensação de luz.



"John Burroghs", lápis carvão preto, branco sobre papel vergê. 

Detalhe mostrando a importância do cruzamento e da mudança de direção das hachuras, tanto para gerar textura como controlar o valor.