Estudo em carvão de estrutura do desenho e anotação da distribuição das grandes massas (à esquerda) e estrutura das massas no óleo colorido (à direita), 2016
A ideia de não trabalhar as áreas nomináveis (olhos, nariz e boca) tem por objetivo elaborar com mais atenção as grandes massas até atingir as massas menores, atentando para as suas dimensões, como família, temperatura, valor, pastosidade, densidade, borda e interação de camadas.
Neste trabalho de estruturação das grandes massas, sem avançar para estágios de maior refinamento, o objetivo foi registrar a incidência da luz (pela anotação d...os valores) alternando com as marcações dos espaços (estrutura do desenho). Diferentemente da abordagem usual, no estilo pictórico, não existe cisão dicotômica ou estanque entre desenho, entendido como representação da forma por meio de contorno, e pintura, como aplicação de cores dentro de uma escala tonal para fazer sombreamento. Um dos aspectos mais intrigantes desse tipo de construção reside na sua capacidade ou mesmo exigência de o executor abrir mão de mecanismos racionais (via cálculo ou medição) que garantam o êxito do resultado. O compromisso com o processo torna-se pré-requisito indispensável para que prevaleça a postura de interação momento a momento com a obra, abandonando práticas nas quais a segurança, a certeza e previsibilidade sejam qualidades intrínsecas. Mas é dessa forma que a exploração da realidade da prática representa adentrar um campo obscuro, instável, com seus interstícios sutis e indizíveis. Ao aceitar o caos para administrá-lo, a obra nasce como produto e exteriorização dessa relação.es massas, sem avançar para estágios de maior refinamento, o objetivo foi registrar a incidência da luz (pela anotação d...os valores) alternando com as marcações dos espaços (estrutura do desenho). Diferentemente da abordagem usual, no estilo pictórico, não existe cisão dicotômica ou estanque entre desenho, entendido como representação da forma por meio de contorno, e pintura, como aplicação de cores dentro de uma escala tonal para fazer sombreamento. Um dos aspectos mais intrigantes desse tipo de construção reside na sua capacidade ou mesmo exigência de o executor abrir mão de mecanismos racionais (via cálculo ou medição) que garantam o êxito do resultado. O compromisso com o processo torna-se pré-requisito indispensável para que prevaleça a postura de interação momento a momento com a obra, abandonando práticas nas quais a segurança, a certeza e previsibilidade sejam qualidades intrínsecas. Mas é dessa forma que a exploração da realidade da prática representa adentrar um campo obscuro, instável, com seus interstícios sutis e indizíveis. Ao aceitar o caos para administrá-lo, a obra nasce como produto e exteriorização dessa relação.
O conceito do exercício foi de desdobrar as bases a partir de uma paleta de cores frias, basicamente a família do roxo/lilás e verde azulado, num arranjo tonal restrito. A grande tendência, do ponto de vista negativo, é de elas se tornarem sujas ao tentar "temperá-las". A solução foi de trabalhar num nível de pastosidade maior, muito bom por exigir um grau de destreza maior.
Neste exercício, com pigmentos preto, branco e um terra (para esquentar a paleta), o escopo foi de avançar na direção da sobreposição de planos menores, tendo em mente a interação de camadas, a luz e o trabalho de borda.
À direita, escolha das bases de cores a partir da observação do modelo com o propósito de formular a linha de raciocínio das cores. Serve de esquema rápido para ordenar família e temperatura das cores e verificar o comportamento visual da paleta restrita. À esquerda a aplicação e desdobramento do primeiro. Algo importante a ser levado em conta é o conselho do pintor Lajos Markos, segundo o qual, para poder pintar sem se preocupar com o desenho, deve-se dominar o desenho.
Versão refeita com com sobreposição de shapes menores.
Neste ano de 2016, decidi me comprometer mais firmemente com o estudo de estrutura das massas no óleo. Quis desenvolver a capacidade não apenas de sintetizar as bases com simplicidade mas também de extrair paletas restritas mentalmente, desdobrando linhas de raciocínio que não ficassem presas à abordagem literal de copiar a cor do modelo.
Ordenamento das grandes massas
Sobreposição de shapes menores e indicação da direção das famílias de cor
Anotação da estrutura contendo matéria, luz e famílias de cor. Abaixo a indicação da paleta restrita
À esquerda, desenho gestual com anotação inicial de massas. À direita, modelo com estrutura das massas com sobreposição de shapes menores, referência para a manipulação no óleo colorido.
Versão a óleo da estrutura das massas, separada em 3 estágios.
A experiência de pintar um quadro pequeno, além de desfrutar do charme próprio da dimensão diminuta, é bem enriquecedora por possibilitar o trabalho de pincelada e de borda mais eficiente.
Com muito pouco é possível visualizar melhor a diferença de cada asserção. A exploração das várias abordagens – como a mudança do peso do pincel, o incremento da pastosidade, o movimento das massas como um parâmetro sensorial de ação, o refinamento dos valores pela interação de camadas – passa a ser uma realidade muito mais perceptível.
Conciliar a exploração das muitas variáveis do óleo com a mente aberta, atenta e flexível potencializa a apreensão dos recursos que o óleo tem para ensinar.
Estrutura das massas de cor e anotação dos espaços com carvão
Um dos maiores privilégios que posso descrever como aprendiz, disposto a compreender o ofício que escolhi como campo de autoaperfeiçoamento, é poder ter acesso ao pensamento visual dos mestres...