quinta-feira, 28 de março de 2013

Vídeo de desenho Gestual de Cavalo

 
Neste gestual, resolvi gravar a ação sem prévio "aquecimento" da percepção, o que inevitavelmente desembocaria numa quantidade maior de ajustes. E este foi o propósito: manter o foco no processo, não no resultado, e registrar um modo possível de administrar o caos próprio do sistema gestual do estilo pictórico. Por meio da improvisação, praticar o não pensamento e lidar com os percalços de forma flexível, lapidando e refazendo a base se necessário.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Por que a simplicidade é tão difícil?


André Comte-Sponvillle, no livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, dá uma pista:
 
“A simplicidade é o esquecimento de si, de seu orgulho e de seu medo: é quietude contra inquietude, alegria contra preocupação, ligeireza contra seriedade, espontaneidade contra reflexão, amor contra amor-próprio, verdade contra pretensão... O eu subsiste nela, é claro, mas como que mais leve, purificado, libertado (‘desligado de si’, como diz Bobin, ‘desprendido de todo reino’). Faz muito tempo, até, que ele renunciou sua salvação, que já não se preocupa com sua perda. A religião é complicada demais para ele. A própria moral é complicada demais para ele. Para que essas perpétuas voltas sobre si mesmo? Nunca acabaríamos de nos avaliar, de nos julgar, de nos condenar... Nossas melhores ações são suspeitas. Nossos melhores sentimentos equívocos. O simples sabe disso e nem se importa. Ele não se interessa suficientemente para se julgar. (...) Ele não se leva a sério e nem a trágico. Segue seu pequeno caminho, de coração leve, alma em paz, sem objetivo, sem nostalgia, sem impaciência. O mundo é o seu reino, e lhe basta. O presente é sua eternidade, e o satisfaz. Nada tem a provar, pois não quer parecer nada. Nada tem a buscar, pois tudo está ali. Há coisa mais simples que a simplicidade? Há coisa mais leve? É a virtude dos sábios, e a sabedoria dos santos.”

segunda-feira, 18 de março de 2013

Estudo de figura no contraluz

Como fazia um certo tempo que não praticava desenho no pastel, resolvi fazer um estudo rápido antes de ir embora do ateliê para manter minha percepção em dia. Peguei, como desafio, um desenho antigo em carvão de que não gostava e apliquei uma camada abrangente de cinza para esculpir esta figura no contraluz. Sobre esta camada, fiz um breve gestual com lápis pastel para ter a proporção no papel. Com base nestas anotações comecei a sobrepor os planos menores de tons médio e baixo.

 
 

Como a ideia não era a de refinar muito e sim fazer anotações rápidas do desenho, valor e planos, dei por encerrado depois de cerca de 30 minutos de abordagem.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Para se pensar


Trecho do livro El Ojo del Pintor, de Andrew Loomis:
"Cabe sempre o perigo do abuso da liberdade. Na arte, isto significa que o homem, sem conhecimentos e habilidades, possa gozar da mesma liberdade que o técnico instruído. A liberdade está baseada na suposição de que o individuo é moral e socialmente responsável, e concedê-la ao irresponsável é como abrir a porta a alguém que cometeu um crime contra a sociedade. A nova liberdade na arte deixou o pêndulo da criação balançando loucamente. Há pintores que manejam o pincel sem o menor conhecimento dos fundamentos da arte. Temos uma "arte" que faria levantar os antigos mestres de suas tumbas, se pudessem vê-la. O bom está lamentavelmente misturado com o ruim. Contudo, se nada tivesse mudado, a situação da arte agora seria pior. A arte não deve nem pode permanecer estática. Seria o estancamento. Mas não há perigo de que a arte pereça; só morrem as formas artísticas. Com o tempo, a confusão deixará o lugar para a ordem, e aqui e ali nascerão novos conceitos de indiscutível valor. Entretanto, no lugar de desejar todos os conceitos e procedimentos do passado, busquemos os que seguem sendo válidos. Reunamos todo o conhecimento colhido no passado e agreguemos a ele novos conceitos, e a estes logo se agregarão os que se obtém no futuro. Beneficiemos a arte com as técnicas da investigação científica. O homem de ciência nunca deseja uma teoria enquanto não comprova que é falsa ou carente de valor. Condenar o passado porque não forma parte do presente é um proceder tão cego como aferrar-se ao passado só por amor à tradição. É cegueira não ver as novas verdades que podem enriquecer nosso patrimônio. Porque algumas formas de arte se tem tornado caducas, não se deve crer que os conhecimentos fundamentais também morreram com o passado."

segunda-feira, 11 de março de 2013

Demonstração do Sistema Gestual Pictórico


Iniciamos, no ateliê, a primeira sessão do ano de exercício gestual, a partir da concepção pictórica, baseado no registro do movimento dos espaços, por meio do uso de linhas. Tem por intuito abrir a mente do aluno para outra possibilidade de construção mais intuitiva, que alia liberdade à precisão.
A escolha preferencial pelo recurso oferecido pela linha, em detrimento da massa, se deve à sua simplicidade e qualidade de concisão. Mas o que facilita de um lado, dificulta do outro, pela necessidade de resistir à tentação de desembocar no contorno externo das formas, as quais usualmente têm por função dar nome às partes (nariz, boca, olhos, etc).
Mas ao vencer esta dificuldade, abre-se espaço para outra possibilidade: de apreender e captar o movimento da imagem pela sensação. O mais difícil muitas vezes, no ateliê, é compreender que o gestual livre e solto não nasce da linha solta ou rápida (que pode coincidir com “cacoete”). Tampouco surge de qualquer tipo de cálculo, medição ou esquema prévio que “garante” ou antecipa o resultado, muitas vezes espontâneo mas mecânico.

Aceitar que as formas e proporções simplesmente acontecem e se configuram pelo cruzamento das asserções por sobreposição é compreender a que essência do gestual pictórico emerge da mente desprendida, comprometida com as incertezas do processo tornado imprevisível. Somente neste estado mais flexível  e aberto que a conexão com o que se faz ganha sentido. E o movimento passa, de fato, a ser  um campo extraordinário para a exploração sensível.





Este desenho tem a dificuldade extra de remeter à fisionomia do animal, o que leva tendencial e forçosamente à descrição das formas. O grande desafio, como em todo gestual, é conseguir manter-se no todo, tomar decisões em movimento, sem pensar. Quanto maior a negação do cálculo e do pensamento, maior o fluxo intuitivo.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Essência visual 3



Dando andamento ao estudo da essência visual por meio de gestuais, uma questão guiou  o processo de investigação: como gerar textura de natureza pictórica (sem recorrer aos detalhes), naquelas áreas inomináveis, indizíveis, transitórias, representadas pelos espaços internos dos troncos, galhos e raízes, por meio de linhas orgânicas orientadas pelo sistema de formas bidimensionais (“shape”).
 

 Textura criada por linha orgânica e shape
 
Estudo do movimento das raízes com grafite sobre papel amarelo - 2a. versão

 Estudo do movimento das raízes com caneta preta - 1a. versão
 
 Textura criada com linhas orgânicas orientadas pelo "shape"
 
Estudo sobre as formas e movimento dos galhos estritamente com linhas

 



Gestual em grafite feito de memória
 
Gestual em grafite feito de memória

segunda-feira, 4 de março de 2013

Ritmo e incerteza

Um dos parâmetros mais difíceis de compreender e lidar, no desenho ou pintura, é o do ritmo, entendido como movimento ordenado dos contrastes e semelhanças das massas tonais.
A novidade consistiu no fato de tentar trabalhar o ritmo a partir de um insight que tive na semana passada: de ratificar a necessidade de traduzir a imagem em movimento pelo movimento (do todo), o que implica em tomar decisões sem fazer muitas pausas para pensar, o que aumenta o fluxo da ação intuitiva. A contrapartida interessante fica por conta da qualidade inerente da incerteza que cerca o resultado.
 
 
 
 
 
 Carvão, lápis carvão sobre papel marrakech, 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

Vídeo The Making of John Mayer's 'Born & Raised' Artwork

Conhecer as várias etapas do processo com profundidade, comprometimento com o trabalho, instigado pela curiosidade de aperfeiçoar cada vez mais o que sabe e ir atrás do que não sabe, sem limites. Muito tesão.
Ontem, discutíamos no ateliê exatamente sobre a falta de técnica dos artistas contemporâneos, muito preenchida com retórica, "pose", afetação, insanidade, precipitação, lógica massificada do entretenimento ou da excentricidade.
Vídeo perfeito que mostra o contrário: silêncio, postura correta, calma, introspecção, centramento, propósito de compartilhar o que faz.

http://vimeo.com/60647216

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