quarta-feira, 23 de março de 2011

Aplicação dos gestuais no carvão

Tendo como suporte o papel kraft colorido, troquei o grafite pelo carvão, lápis carvão e borracha, para aplicar o mesmo conceito do gestual desenvolvido anteriormente. Mantive o sistema de fora para dentro, traduzindo os planos e massas para a representação mais concisa, na forma de manchas e hachuras. Não estipulei o tempo máximo, mas tentei executar no tempo mais curto possível para manter o foco no essencial.



20'
18'

21'
25'

Neste desenho, para demarcar o raciocínio estratégico, resolvi parar no meio da abordagem (em torno de 15 minutos).

segunda-feira, 14 de março de 2011

Gestuais de março (continuação)

Algo muito interessante, que pode acontecer como desdobramento do estudo e da prática disciplinada, é a possibilidade de acesso ao campo da não-regra.

Do ponto de vista metodológico, para que a intuição possa ordenar e elaborar as informações visuais de forma espontânea é imprescindível a existência de critérios que possam guiá-la durante o processo de execução.

E só a repetição criteriosa cria meios para que ela entenda o que deve fazer, para que ela crie novas soluções no improviso, sem desembocar no receituário do fazer ou na ação espontânea, mas aleatória e vazia de sentido, justificada posteriormente pela retórica.

Gestuais de 5 minutos

terça-feira, 8 de março de 2011

Gestuais de março

O objetivo do desenho gestual, dentro do conceito proposto no ateliê, é criar uma síntese essencial do movimento da figura, guiada pelo mínimo necessário e captada pela sensação. Esse exercício constitui o tipo mais livre possível de representação por observação, no nível mais alto de abstração e concisão.
Sinônimo de fluxo, o gestual combina a fluidez da ação de desenhar, fluência na leitura da imagem e ordenamento.
Os aspectos que tornam a tarefa difícil são a exigência de tomar decisão em movimento (sem parar para analisar), ser capaz de traduzir a essência visual pela interpretação instantânea (sem passar pelo filtro das palavras ou do pensamento racional) e usar a linha como elemento que explora e investiga espaços, ao mesmo tempo em que é capaz de traduzir os vários tipos de informação visual na qualidade mais sucinta possível. Trocar a descrição da forma ou a colocação de detalhes pela sugestão implica dizer algo com pouco, o que intensifica a manutenção do fluxo.
E quanto maior o fluxo, maior a liberdade. Uma das coisas mais prazerosas é livrar-se da dedução racional, que cria símbolos estereotipados para representar o modelo, e dos esquemas ou fórmulas, que podem até gerar certa fluidez do traço, mas que invariavelmente levam a certas soluções previsíveis e mecânicas.
Paradoxalmente ou não, o fato mais instigante constatado em aula é que, para atingir esse nível de liberdade, as condições necessárias são disciplina de organizar mental e criteriosamente as ações, que comportem função e sentido, e arrojo. Arrojo de desprender-se do resultado, de abrir mão da segurança representada pela tentativa de fazer o desenho assemelhar-se ao modelo.
Só o rigor da obediência aos critérios é capaz de manter a não intenção durante todo o processo.
Para ter liberdade é preciso bancá-la.
E lidar com as incertezas inerentes ao processo é aceitar o caos para poder administrá-lo.
Gestuais de 5 minutos










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